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Política Política

Há condições para paz efectiva no país

AFIRMA IVONE SOARES

13/01/2021 às 10h08
Por: Horacio mahumane Fonte: Jornal Notícias
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 Há condições para paz efectiva no país

Moçambique está em condições de viver uma paz efectiva em todas as regiões, sendo necessária a participação activa de todos os cidadãos, dando o melhor de si para o efeito.

A ideia foi defendida pela deputada da Assembleia da República pela bancada da Renamo, Ivone Soares, numa entrevista concedida à Rádio Moçambique, no âmbito do balanço do ano político 2020, na qual disse acreditar que todos os moçambicanos estão interessados em viver num ambiente de paz, onde possam desenvolver as suas actividades e salvaguardar o bem-estar das futuras gerações.

“Acredito numa paz efectiva e geral para todo o país, do Norte a Sul. Estou satisfeita por saber que há caminhos para uma paz efectiva e há moçambicanos que sempre encontram uma solução para todos os problemas. Vamos trabalhar para a paz”, disse Ivone Soares.

Referiu quena situação do terrorismo em Cabo Delgado, um dos problemas que periga a paz, o país falhou no princípio quando foram registados os primeiros sinais de insurgência, pois se acreditava que a situação era controlável.

Apesar desta falha, a deputada avançou quese não houver condições internas para lidar com o fenómeno, o Governo deve, com muita humildade, pedir apoios concretos à Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC), bem como aos outros países do continente, para que o problema seja resolvido de forma permanente, sem deixar sequelas.

Para além do continente, Ivone Soares sugere que se peça apoio àsNações Unidas, por forma a ter uma paz efectiva em todo o território moçambicano, pois não interessa resolver somente o problema de Cabo Delgado.

“É preciso analisarmos qual é o problema de fundo para que nós, como país, estejamos ciclicamente em conflitos, se são eleições ou são cenários de insurgência. Temos que pensar no que está a falhar, se é um problema de gestão do país, pobreza ou falta de oportunidade para todos. É perceber qual é o problema de fundo”, disse Ivone Soares, acrescentando quese for identificado o problemaserá possível avançar seriamente para resolvê-lo.

Falou das assimetrias entre as regiões Sul, Centro e Norte, onde as oportunidades são visíveis, mas a tendência das desigualdades entre os que têm e os que não têm tendem atornar-se graves. Questiona se tal situação estará ou não associada às duas guerras que o país está a enfrentar, salientando que é preciso garantir o equilíbrio.

Acrescentou que existem muitos jovens que constituem a mão-de-obra activa e poderosa, mas não têm nenhum horizonte sobre o que vão comer no dia seguinte.

Essa situação, segundo disse, cria espaço para que as pessoas embrenhem em esquemas que nem elas entendem o alcance dos problemas que criam quando se faz um conflito, tal como aconteceu com os cerca de 50 jovens que foram mortos por terem-se recusado a juntar-se aos insurgentes.

“Apelo para que todo o cenário de confrontação cesse e se procure no diálogo a melhor forma para colocar na mesa o que lhes preocupa ou o que gostariam de atingir com tudo isso”, apontou Ivone Soares.

Vemos Filipe Nyusi empenhado no diálogo

IVONE Soares disse que tem visto o Presidente da República, Filipe Nyusi, empenhado no diálogo com a Renamo, em particular, mas também de ponto a ponto nas províncias a fazer o seu trabalho na governação.

Outras acções de destaque são as iniciativas como “um hospital um distrito”, “um banco um distrito” e o projecto SUSTENTA. No entanto, Ivone Soares apela ao Chefe do Estado para instruir todos os dirigentes da Frelimo a não excluirem as pessoas da oposição no momento em que devem beneficiar de causas sociais.

“Eu estive recentemente em Mocubela, onde foi-me dito que um membro do partido que teria concorrido para ter apoio a nível do projeto SUSTENTA foi aprovado, mas quando se soube que era da Renamo, o administrador mandou remover o seu nome da lista. Essas coisas minam o ambiente político e a reconciliação que se pretende. Portanto, eu ia apelar ao Presidente da República para que oriente, instrua, ordene ao seu mais alto nível para que nunca mais aconteçam em Moçambique cenários idênticos”, disse Ivone Soares.

Acrescentou que a Renamo colabora para a pacificação do país, dando a tranquilidade necessária para que Filipe Nyusi se preocupe com a governação. Destacou que a Renamo tem aprovado vários instrumentos na Assembleia da República, menos o Plano Económico e Social e Orçamento do Estado, por motivos já avançados em sede do Parlamento.

“O facto de estarmos na Assembleia da República a funcionar é uma forma efectiva de criar condições de governação para Moçambique, porque sem o Parlamento o Governo não teria instrumentos aprovados”, disse.

Modelo da CNE pode ser melhorado

O MODELO de composição da Comissão Nacional de Eleições (CNE) pode ser melhorado, segundo afirmou Ivone Soares, para quem há espaço para se estudarem os melhores cenário de mudança, pois é altura de evoluir.

Para ela, é necessário que se faça um modelo com o qual quem ganha se sinta realmente vitorioso e com todo o apoio institucional das organizações que validam o processo, mas também quem perde possa ter a tranquilidade de que não houve nenhum tipo de manipulação e, realmente, aceitar os resultados tal como forem publicados.

“Não é uma conversa fácil para todas as forças políticas, principalmente porque todos estão no terreno pretendendo ser o Governo. Não é fácil convencer que a minha ideia de composição da CNE é melhor que a do outro, portanto é preciso estudar melhores soluções para evitarmos que Moçambique entre em conflitos pós-eleitorais”, disse Ivone Soares.

A deputada entende ainda que a composição da CNE foi um dos momentos marcantes do primeiro encontro da Assembleia da República na IX legislatura.

Deplorou o protesto feito pelo Movimento Democrático de Moçambique (MDM), ao não participar na apresentação do informe anual do Chefe do Estado sobre o estado da nação e no encerramento da sessão, por não ter conseguido fazer passar nenhum elemento da sociedade civil.

É preciso repensar no modelo de descentralização

NO entender de Ivone Soares, há necessidade de se repensar no modelo de descentralização aprovado recentemente na Assembleia da República.

Lembrou que a Renamo foi contra este modelo, porque deixa os governadores completamente “vazios” em termos de competências e atribuições. Por outro lado, segundo ela, a figura de Secretária de Estado vem colocar um peso muito grande no Orçamento do Estado.

Assim, a deputada sugere que se comece a pensar num Estado mais leve, que permita melhores condições aos cidadãos. Neste momento, segundo Ivone Soares, a situação é muito apertada, os salários são muito magros e criam-se novas estruturas que poderiam ter sido dispensadas.

“Devemos pensar num modelo de governação que esteja orientado para o país e para o povo e não para perpetuarmos seja qual for o tipo de interesse. É claro que o Estado tem que ter representação ao nível da Presidência da República, do Governo Central, representações das províncias para uma maior interacção e para segmento dos programas, mas isso não pode significar encarecer o Estado”, disse.

Acrescentou que o país tem que ser viável, governável e, para isso, é necessário que haja projectos respeitados por toda a gente e cumpridos por qualquer um que vier a governar, na medida em que são políticas de interesse do povo.

Sublinhou que devem ser políticas nacionais que, na sua implementação, podem sofrer alguma inovação, mas que o fundo da acção governativa não seja tocado para o bem do povo.

“Eu olho, por exemplo, para um sector como a agricultura, onde podemos ter, de ciclo em ciclo, programas que dão uma reviravolta total naquilo que é o interesse do país e, no fim, continuemos na mesma situação de não ter uma agricultura mecanizada e com capacidade de escoar os produtos”, disse, acrescentando que é deplorável que sejam os comerciantes estrangeiros que vêm definir o preço do gergelim, feijão-bóer e outros produtos.

Conforme disse, Moçambicano deve sentir-se dono da casa e quem vem é muito bem-vindo, porque não somos um povo xenófobo, pelo contrário, somos um povo muito acolhedor, mas é preciso compreender que o preço tem que ser definido em função daquilo que são as estratégias que se pretendem atingir.

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