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Dívidas Ocultas Divida Ocultas

Bruno Langa sem respostas em julgamento

Bruno Langa, arguido no processo das dívidas ocultas, recusou hoje responder em tribunal se entregou ao amigo Ndambi Guebuza uma "brochura" com o projecto de proteção costeira para o pai e ex-Presidente aprovar enquanto estava no poder.

03/09/2021 às 15h03
Por: Paulo Mahlalele
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Não vou responder à pergunta", retorquiu Bruno Langa, quando questionado por Filipe Sitoe, causídico que atua em representação da Ordem dos Advogados de Moçambique (OAM), entidade que exerce o papel de assistente e auxiliar do Ministério Público no julgamento do processo das dívidas ocultas.

O Ministério Público acusa Bruno Langa de ter levado ao seu amigo Ndambi Guebuza a proposta de projeto de proteção da Zona Económica Exclusiva da empresa Privinvest para que este influenciasse o pai, Armando Guebuza, a aprovar o documento.

A acusação considera que o documento foi usado como justificação para a mobilização do dinheiro que alimentou as dívidas ocultas.

Na sua segunda e última audição em tribunal, Bruno Langa também negou hoje explicar os trabalhos de consultoria que diz ter prestado à Privinvest para justificar os 8,5 milhões de dólares (7,1 milhões de euros) que admitiu ter recebido durante o depoimento que prestou na quinta-feira.

O arguido não se quis igualmente pronunciar sobre se terá visitado empreendimentos hoteleiros e do setor imobiliário da Privinvest, dado que disse ao tribunal que a remuneração que auferiu corresponde à consultoria que prestou nessas áreas.

Bruno Langa, 44 anos, recusou igualmente prestar esclarecimentos sobre a sua formação e experiência profissional face à consultoria que diz ter prestado à Privinvest, dado que a companhia presta serviços no setor naval.

As questões faziam parte de um rol de 27 colocadas na sessão de hoje pela OAM a Bruno Langa, mas sem resposta: "não vou responder a essa pergunta", referiu o arguido após cada uma delas.

O Ministério Público moçambicano acusa Teófilo Nhangumele, Bruno Langa, Ndambi Guebuza e outros arguidos do caso de terem formado uma associação criminosa e levado o filho mais velho do antigo chefe de Estado a cometer tráfico de influência sobre o pai, convencendo-o a aprovar o projeto de proteção da Zona Económica Exclusiva usado para a mobilização do dinheiro que alimentou o esquema das dívidas ocultas.

Na quinta-feira, Bruno Langa rejeitou essas acusações, insistindo que os depoimentos a si atribuídos na fase de instrução preparatória foram assinados sob coação psicológica.

O Ministério Público acusa os 19 arguidos das dívidas ocultas de se terem associado em "quadrilha" para delapidarem o Estado moçambicano e deixar o país "numa situação económica difícil". 

A conduta, prosseguiu, prejudicou o Estado moçambicano em 2,7 mil milhões de dólares (2,28 mil milhões de euros) - valor apontado pelo Ministério Público e superior aos 2,2 milhões de dólares até agora conhecidos no caso - angariados junto de bancos internacionais através de garantias prestadas pelo Governo. 

Para o Ministério Público moçambicano, entre os diversos crimes que os arguidos cometeram incluem-se associação para delinquir, tráfico de influência, corrupção passiva para ato ilícito, branqueamento de capitais, peculato, abuso de cargo ou função e falsificação de documentos.

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