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Dívidas Ocultas Dividas Ocultas

Crimildo Manjate vendeu sua dependência a 3.7 milhões de meticais à família Leão

Manjate, conta que adquiriu o seu espaço de um primo e, posteriormente, o irmão de Ângela manifestou interesse em adquiri-lo

30/09/2021 às 14h05
Por: Paulo Mahlalele Fonte: O Pais
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O Pais
O Pais

O 16º réu ouvido pelo Tribunal, que julga o caso das dívidas ocultas, chama-se Crimildo Manjate, de 40 anos de idade, que é acusado do crime de branqueamento de capitais, por  ter vendido à família Leão uma dependência, no bairro Jonasse, por 3.7 milhões de meticais.

 

Crimildo Manjate confirma a venda e conta que conheceu a co-ré Ângela Leão no âmbito do trabalho de fornecimento de estruturas metálicas e foi-lhe apresentado pelo irmão dela, conhecida como Pondeca.

 

“Ele estava num carwash, próximo ao meu escritório. Ele viu o meu trabalho lá e pediu o meu contacto, porque gostou do trabalho. Recebeu o contacto do gerente e solicitou os nossos serviços para uma obra em Jonasse”, explicou Crimildo Manjate.

 

Posteriormente, foi enviada a cotação e marcou-se uma reunião para a adjudicação da obra. Até à altura, o réu disse que não sabia do grau de parentesco da pessoa que solicitou os serviços com Ângela Leão.

 

A Procuradora Ana Sheila Marrengula quis saber como o irmão de Ângela Leão soube que Crimildo Manjate tinha um espaço em Jonasse, ao que o réu respondeu que foi durante uma conversa em 2013.

 

Ao Tribunal, Manjate, conta que adquiriu o seu espaço de um primo e, posteriormente, o irmão de Ângela manifestou interesse em adquiri-lo.

 

O réu Crimildo Manjate teria usado a conta do seu irmão para receber o valor da venda da sua dependência, mas o réu também tinha uma conta no BIM, por isso Ana Sheila Marrengula não percebe por que ele não deu a sua conta. Manjate diz que procedeu dessa forma sob orientação de Leopoldo Pondeca, irmão de Ângela Leão.

 

“Usei a conta do meu irmão, porque disseram que o pagamento tinha que ser feito no BIM, para que eu pudesse confirmar de imediato o valor e parar com as obras que estava a realizar no espaço. Eu tinha uma conta, mas não sabia se ela estava operacional, porque  há quase um ano em que não fazia movimentos. E, por conta do trabalho, não tive tempo para me aproximar ao banco, daí que preferi dar a conta do meu irmão”, explicou Manjate.

 

Ainda esta sexta-feira, Manjate disse ao Ministério Público que conhece Fabião Mabunda desde 2015. Entretanto, nas suas declarações anteriores, na instrução, Manjate dissera que conheceu o co-réu entre 2013 e 2014. A Procuradora Ana Sheila Marrengula quis saber o porquê da contradição. O réu disse que não há contradição e tratou-se de explicar.

 

“Eu conheci-o na obra próximo ao condomínio da Mozal, mas a interacção só começou na obra próxima à rua Dona Alice”, justificou.

 

A explicação não convenceu o MP, e Crimildo Manjate disse que pode ter havido um erro na escrita dos seus depoimentos na Procuradoria.

 

O réu Crimildo Manjate disse que recebeu o pagamento feito por Fabião Mabunda na qualidade de empreiteiro de Ângela Leão.

 

Dada a palavra pelo Juiz da causa, a Ordem dos Advogados de Moçambique prescindiu de interrogar o réu.

 

À advogada de Khessaujee Pulchand, Alice Mabota, Crimildo Manjate disse que não sabia da proveniência do valor com o qual foi pago pela venda da sua dependência.

 

Ao advogado de Ângela Leão, Manjate disse que, na obra que fez em Jonasse, recebeu o dinheiro em numerário e o valor foi pago pelo irmão de Ângela Leão, mas, na obra da Costa do Sol, foi via transferência bancária.

 

Questionado por Lourenço Malia, defesa de  Teófilo Nhangumele, o réu disse que só ouviu falar sobre o projecto da Zona Económica Exclusiva e da Privinvest depois de ter sido detido.

 

Pelo facto de a empresa do réu se designar por Dinis Alumínios, um nome que coincide com um dos sobrenomes da co-ré Ângela Dinis Buque Leão, o advogado do réu, Hélder Matlhaba, quis saber qual era a explicação. Ao que Manjate respondeu que se trata de uma mera coincidência.

 

Manjate disse, ainda, que a sua empresa opera desde 2010 e que já prestou serviços para várias firmas, que, mesmo após a sua detenção, continuaram a trabalhar consigo.

 

O 16 º réu ouvido pelo Tribunal assegura que o valor que recebeu pela venda da sua dependência não repassou a Ângela Leão, porque nada comprou dela. Contrariando dessa forma a tese de branqueamento de capitais.

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