Terça, 30 de Novembro de 2021
°

-

Dólar
R$ 5,61
Euro
R$ 6,32
Peso Arg.
R$ 0,06
Anúncio
Política Política

Quando termina a "sarna comunicacional" de Filipe Nyusi?

"Entramos no consenso de estarmos a ser a sintonia mais desafinada no concerto das nações e o Presidente da República não pode continuar a brindar-nos com esta vergonha."

08/11/2021 às 10h32
Por: Paulo Mahlalele Fonte: dw
Compartilhe:
DW
DW

Listar a sarna como doença respiratória foi a última falsidade proferida pelo Presidente de Moçambique no seu mais recente discurso à nação. Críticos analisam à lupa o discurso de Filipe Nyusi.

Ouvir o Presidente de Moçambique, Filipe Nyusi, dizer coisas como "idiotos" ou mulheres "letantes" já deixou de chocar os moçambicanos. O que escandaliza agora são inverdades por ele proferidas, como, por exemplo, categorizar a sarna como doença respiratória. O facto aconteceu no seu último discurso à nação, a 24 de outubro, no contexto da pandemia da Covid-19.

 

Incrédula, a ativista social e política Quitéria Guirengane desabafa: "Temos muita vergonha que estejamos num país com falta de liderança. Este é o consenso nacional. Não sabemos como viemos parar aqui, mas sentimos que o buraco é muito mais fundo do que poderíamos imaginar."

A ativista questiona inclusive como Filipe Nyusi pode representar o país em fóruns internacionais, diante de outros estadistas, "se quando está connosco mostra toda esta falta de direção".

 

"Entramos no consenso de estarmos a ser a sintonia mais desafinada no concerto das nações e o Presidente da República não pode continuar a brindar-nos com esta vergonha."

 

Guirengane recorda que não se trata apenas da questão da "sarna". Quando a situação da Covid-19 era crítica no país, "o Presidente apareceu publicamente a dizer que uma das provas de que a vacina era um meio de prevenção eficaz é que, das 14 pessoas que perderam a vida, em julho, 13 se haviam vacinado. Percebia-se que era o oposto do que estava escrito no documento. O Presidente da República quis fazer um improviso, que, mais uma vez, foi desastroso."

 

Por causa disso, Filipe Nyusi tem sido motivo de chacota nas redes sociais. É só fazer um discurso à nação que logo de seguida os "memes" da sua pessoa nascem como cogumelos. Mas há quem lamente a falta de tolerância para com o Presidente da República.

 

"Todo o ser humano é suscetível de cometer falhas", lembra o jornalista Gustavo Mavie, acrescentando que não se trata de ignorância, mas de lapsos linguísticos: "Isso até é estudado em algumas universidades. Na comunicação há momentos em que soltamos [palavras] que não são as que queríamos dizer. Às vezes, até pode ser um insulto, que é muito mais grave."

 

Para António Muchanga, deputado da Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO), o maior partido da oposição, os discursos do chefe de Estado são uma oportunidade para expor as suas fragilidades, "para os parceiros de cooperação internacional avaliarem o tipo de pessoas com quem estão a cooperar".

 

"Acho que o Presidente da República tem problemas de concentração quando vai fazer os discursos. Não se prepara o suficiente, à altura do que vai dizer. Não assume a solenidade que as comunicações devem assumir. Para além desta questão, destes últimos incidentes, também disse uma vezes que, quando a população queimar a mata, os leões vão comer mandioca e maçaroca. É um discurso muito desfasado do contexto do leão", diz Muchanga.

 

Na página oficial do Presidente da República no Facebook, onde são transmitidos os discursos à nação, os internautas chegaram a sugerir que Nyusi estava embriagado, no dia 24 de outubro: "O Presidente bateu uns copos antes de vir à nação... Está a dar bandeira", lê-se num comentário. Outro afirmava: "Vou bazar, farto de ouvir este bêbado...vai mas é depor na tenda, bro, e traz o nosso dinheiro de volta".

 

"Na verdade, isso mostra uma falha sistemática do nosso Estado", comenta a ativista e política. "É uma falha do Presidente, mas também de todo o protocolo de Estado, que tem o dever e uma responsabilidade de fazer cumprir não só a lei, mas também a imagem que queremos projetar do nosso país dentro e além fronteiras."

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
Ele1 - Criar site de notícias