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"Todos somos potenciais vítimas", avisa psicóloga clínica e adjunta de comissária da PRM

A psicóloga clínica e adjunta de comissária da Polícia da República de Moçambique Lurdes Mabunda considerou que a violência doméstica no país não discrimina classes sociais nem estatuto académico, porque resulta de algumas "práticas culturais tóxicas".

08/11/2021 às 11h15
Por: Horacio mahumane Fonte: NM
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Lusa
Lusa

"Todos somos potenciais vítimas de violência doméstica, porque é uma prática com uma força indiscriminada, não escolhe classe social nem estatuto académico", declarou Mabunda à Lusa a propósito da sua nova obra "Radiografia da Violência Doméstica em Moçambique:

O Relato de Quem Está Por Dentro". São 237 páginas e sete capítulos em que se coloca a mulher como a principal vítima de violência doméstica e em que se apontam alguns princípios defendidos pelo sistema patrilinear vigente nas comunidades moçambicanas como a principal causa do sofrimento infligido às mulheres.

 

"No período entre 2015 e 2019, mais de 50 mil queixas de violência doméstica nos gabinetes da polícia que tratam dessa matéria foram apresentadas por mulheres e apenas 12.004 por homens. Essas cifras mostram a feminização da violência doméstica", enfatizou.

 

Lurdes Mabunda alertou que prevalece a perceção de que os "números institucionalizados" estão muito aquém da realidade, porque ficam de fora "muitas cifras negras" -- o conceito usado para casos não relatados às autoridades.

 

"Desde a nascença, os homens são ensinados a ter uma relação de posse sobre a mulher e a assumir a sua supremacia física como uma vantagem para imporem relações de domínio", explicou.

 

Por outro lado, prosseguiu, as mulheres são formadas para a submissão e subserviência em relação ao homem, condições que perpetuam a violência doméstica nos lares moçambicanos.

 

"Há inúmeros casos em que são as famílias a pressionar as vítimas a retirar queixas de violência doméstica, porque está normalizada, mesmo sendo um crime de natureza pública", revelou a adjunta de comissária da Polícia da República de Moçambique.

 

A psicóloga observou que a violência doméstica também é potenciada pela submissão económica da mulher, porque há vítimas que preferem viver com o agressor, devido à segurança económica e financeira que lhe dão, apesar das agressões.

 

Mabunda defendeu uma mobilização geral contra a violência doméstica, envolvendo a educação, igrejas, líderes comunitários e instituições públicas e estatais.

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